Projeto Conviver
UM POUCO DA HISTÓRIA RECENTE DA PSIQUIATRIA

Nas últimas décadas, muito se tem discutido a questão da doença mental. Dessa discussão surgiu o chamado Movimento Anti-manicomial que tomou força e passou a influenciar a política de saúde mental dos principais países do mundo, culminando com políticas de fechamento de hospitais e a devolução dos doentes aos seus familiares, com a pretensão de que eles pudessem se adaptar à vida social.

Nenhum país do mundo, no entanto, estruturou programas de saúde mental alternativos, capazes de acolher os doentes o que fez com que os resultados dessa política fossem desastrosos.

O modelo tradicional, constava de longas internações, precário seguimento ambulatorial e a quase total ausência de programas de reabilitação, o que fazia com que os doentes reagudizassem em curto espaço de tempo e retornassem aos hospitais, fechando assim um ciclo em que o paciente vai progressivamente perdendo os seus já restritos vínculos com a família e a sociedade.

Todos concordavam que o modelo hospitalocêntrico era anacrônico, desumano e ineficiente. Por outro lado, simplesmente ignorar o problema, fechando os hospitais e deixando a cargo das famílias os cuidados de que os doentes necessitavam, sem lhes dar o auxílio necessário, foi fechar os olhos para uma realidade que não se muda por decreto.

O resultado dessa política perversa é que, no Brasil, os doentes que antes estavam abrigados nos grandes hospitais públicos ou conveniados com o SUS, foram colocados na rua com o fechamento progressivo desses hospitais, e sem que nenhuma estrutura os acolhesse acabaram indo engrossar o rol de desvalidos que hoje habitam as ruas das grandes cidades.

Hoje, eles representam cerca de sessenta por cento dos moradores de rua, o que torna as ruas e praças, hospitais a céu aberto, porém, sem que os doentes recebam qualquer tipo de tratamento.

O PROJETO CONVIVER

Foi nesse contexto que, após ter participado de um programa experimental, integrado, desenvolvido por equipe multidisciplinar, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a médica psiquiatra Lucinda Trigo, deu inicio a uma série de discussões sobre quais eram as reais necessidades dos doentes e que recursos terapêuticos uma instituição deveria disponibilizar para melhorar os resultados do tratamento oferecido, que surgiram as idéias que nortearam a fundação da CONVIVER - Espaço de Reintegração Psico Social.

Até então, pouco se sabia a respeito da evolução das patologias psiquiátricas, pois elas conviviam intimamente com as patologias sociais, que abarrotavam os hospitais psiquiátricos, já que a sociedade não dispunha de outros recursos para absorver essa demanda. Nos propusemos então a estruturar um programa assistencial que pudesse acolher o doente em qualquer fase de sua doença, tanto na fase aguda, quando a internação pode ser necessária, quanto nas fases de estabilização dos sintomas, quando o doente pode participar de programas de socialização, a fim de melhorar sua qualidade de vida e aí sim tornar possível a sua reinserção social.

Foi assim que em 1991, foi implantada a CLÍNICA CONVIVER.